Comunicação

MENTIRA TEM PERNA CURTA. COMEÇOU A ERA DO DEEP FAKE

MENTIRA TEM PERNA CURTA. COMEÇOU A ERA DO DEEP FAKE
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Você já ouviu dizer que mentira tem perna curta? Em um mundo tão conectado, frenético e ansioso, essa história precisa de novos contornos.

Se a gente pensar por outro lado, e tem frase para tudo na vida, encontraremos a ideia já muito conhecida no mundo da comunicação de que uma mentira contada muitas vezes se torna uma verdade. Bem, isso aqui parece mais adequado à nossa realidade. 

Então… No fim das contas, independente do tamanho da perna, uma mentira bem contada no digital pode fazer um estrago enorme, acabar com a reputação de um colega de trabalho, destruir a imagem de uma organização, motivar a justiça feita com as próprias mãos e até mesmo eleger presidentes. 

Por isso, aquela mentira nossa de cada dia, o boato, o engano, a calúnia, fofoquinha malandra, inocente ou ardilosa, ganha dimensões nunca vistas quando circula sem controle e sem limites na redes sociais.

Inclua nessa conta os aplicativos de mensagens, espaços tão pródigos para a disseminação deste tipo de conteúdo. Pior do que isso, como numa espécie de raio gourmetizador, ganha ares de vanguarda, de hype: não é mentira, é fake.

É artificial, mas está ficando natural.

O fake a essa altura parece naturalizado, banalizado, não incomoda tanto, é algo menor, normal e ninguém parece ligar. A gente até compartilha uns, desde que coincida com nossa visão de mundo, crenças e interesses. Afinal de contas, se é contra nossos inimigos, vale tudo, não é? Pior que não… 

É exatamente aí que a gente, enquanto sociedade conectada, não se deu conta de que havia um monstro à espreita, crescendo, se alimentando do nosso deslumbramento tecnológico, das nossas falhas como indivíduos, das fragilidades da nossa democracia e da obsolescência da nossa justiça. Não no Brasil, mas no mundo. 

Aqui mesmo, enquanto escrevemos este texto, parlamentares e sociedade civil lutam para dar os primeiros passos e aprovar um conjunto de leis com o intuito de coibir e punir a disseminação de fakes, como se apenas duas canetadas pudessem resolver o assunto.

Deep Fake… O monstro foi a outro nível.

Enquanto a gente nem conseguiu entender direito o fenômeno das fakes na internet, o monstro mudou de patamar e agora apresenta uma nova faceta, com tamanho potencial disruptivo que, a essa altura, não podemos sequer estimar as consequências. Estamos falando de Deep Fake. E esse bilete é verdade. 


Deep F*** Fake

Pois bem. Se a gente estivesse vivendo no século passado, poderia até dizer que Deep Fake era apenas mais uma invenção distópica retratada num livro de Orwell, Huxley ou Burgess.

No entanto, esta é uma realidade próxima, tão próxima, que são grandes as chances de você já ter sido impactado ou já compartilhado conteúdos deste tipo em grupos de WhatsApp ou nas Redes Sociais. 

Pois bem. Numa simplificação, Deep Fake remete a conteúdos de áudio e vídeo produzidos por meio de simulações e manipulação de imagens, com base em avançados algoritmos computacionais, inteligência artificial e uso intensivo de máquina, com resultados de tal forma convincentes que colocam em dúvida a legitimidade do conteúdo e complicam a distinção do que de fato é real. 

Em outras palavras, através desses recursos de inteligência artificial, o Deep Fake possibilita a criação de vídeos com manipulação de imagens e sons humanos com extremo realismo, obtendo resultados que tornam quase impossível distinguir a verdade de uma mentira absurdamente bem contada.  

Na prática…

Pode parecer curioso, engraçado, divertido e uma enorme oportunidade para criação de conteúdos, geração de novos memes e paródias. Mas, por outro lado, cabe um alerta: manipular imagens com resultados tão convincentes cria uma situação de incerteza extremamente perigosa. 

A essa altura, estamos diante não só de um novo patamar na disseminação de mentiras, mas de uma potencial precarização completa da verdade. Aquilo que ouvimos alguém dizer foi uma imagem daquele alguém efetivamente dizendo aquilo? 

Se você ainda não viu na prática até onde chegamos, confira alguns exemplos e tire suas próprias conclusões. Pense um pouco sobre como isso abre um leque de possibilidades que não tem limites na maldade ou na graça humana. Tem para todos os gostos!

Além disso, não precisa tomar partido, não seja necessariamente contra ou a favor, porque como dizem, a tecnologia é neutra. Por enquanto, apenas reflita cuidadosamente sobre o que é, onde estamos e o que pode vir disso tudo.

O Portal Uai, de Minas fez um vídeo super ilustrativo sobre o tema.

Veja outros exemplos, em inglês. 

Será cada vez mais difícil reconhecer um conteúdo falso e, por meio dessa técnica, qualquer um pode ser objeto de manipulação e circular por aí com rostos, vozes e corpos em situações simuladas com as quais jamais sonhou. Se a mente humana conceber, o computador já é capaz de realizar. 

Não é difícil imaginar uma gama de situações com alto potencial de gerar constrangimento e até mesmo acabar com a reputação de marcas, celebridades, políticos, influenciadores e pessoas comuns, como eu e você.

Isto porque, convenhamos, o que não falta é imagem nossa circulando por aí. Lembra daquela foto com as amigas na festinha da firma?

Na verdade, ainda não conhecemos todo o potencial do Deep Fake. 

Se conteúdos simples com imagens estáticas já circulam intensamente nas redes levando pessoas a tomarem como verdade qualquer coisa que lhes caia na tela do celular, imagina o poder de vídeos manipulados com alto grau de convencimento, em que o rosto de um ocupa o corpo do outro e da voz de um terceiro?

Então, multiplique a velocidade de propagação de conteúdos, preguiça de dar aquele Google para confirmar a veracidade de uma informação e a quedinha que muita gente tem pela fofoca: prato cheio para o tribunal das redes julgar, condenar, sentenciar, jogando nome e imagem de pessoas no lixo.

Estamos protegidos desse risco? A resposta é não.

A tecnologia avança com rapidez e o volume de selfies, stories, vídeos e imagens compartilhadas em perfis pessoais servem como insumos para que você também possa vir a ser, também, uma vítima dessa realidade que já acomete políticos, celebridades, influenciadores, mas não só eles.

Essa preocupação se torna ainda maior se olharmos com cuidado para o que acontece ao nosso redor no universo das Redes Sociais. Inclusive, abordamos esta preocupação no texto: Os desafios de comunicar em mundo sem empatia.

Dentro de casa já está ficando mais fácil.

Impossível falar desse tema sem mencionar o canal de Brunno Sartori, no Youtube, que vem ganhando muita visibilidade com paródias extremamente ácidas tendo como principal objeto o presidente Jair Bolsonaro. 

Obviamente, aqui a ideia central não é convencer as pessoas de que se trata realmente do presidente diante da sua tela, embora o exemplo deixe bem claro que a brincadeira está ficando cada vez mais acessível para todos.

Apenas assista!

Para explorar mais sobre Deep Fake…

Esse tema é relativamente novo, muito complexo e relevante. Neste texto conseguimos apenas começar, porque há muito a descobrir e muito por vir. 

Por isso, para saber mais sobre o tema, recomendamos alguns artigos bem completos, de publicações nacionais e estrangeiras, que podem ampliar muito sua visão sobre o assunto. 

Um excelente ponto de partida é o episódio do Follow This (BuzzFeed) disponível na Netflix, com o título “O Futuro das Fakes”, que aliás, foi meu ponto de partida para chegar até esse texto.

TabUOL
Wired
MetroUK
HelloFutureOrange
MITTechReview
Medium
Phys

Deep Fake: apenas começando.

Para concluir, por enquanto: não há dúvida de que ainda há muito a ser debatido sobre o tema e ainda temos muito que trabalhar para entender suas consequências, potencialidades e os desafios que essa realidade nos impõe, seja como profissional de comunicação, estrategista, político, pesquisador ou cidadão.

Vejamos: como isso tudo vem sendo utilizado no universo da política, até que ponto teremos uma disseminação desses conteúdos nas próximas eleições?

Como isso pode impactar nossa percepção sobre a verdade e até onde chegamos com isso no Brasil, sabendo que, no mundo todo, o acesso a ferramentas, métodos e estruturas computacionais indicam que esse jogo já começou, desafiando questões de ética, legislação, informação e cidadania. 

Porém, a verdade é que ainda não vimos nada. Nossa intenção é mergulhar cada vez mais no tema, a partir da impressão de que a mentira pode até ter perna curta, mas esse assunto ainda vai dar muito pano pra manga.

Acompanhe!

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